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Por Margarida Correia, aluna do 2.º ano da licenciatura em Direito, na FDUC.

E é depois de já muitas vezes me ter pasmado em frente ao televisor na ”hora das notícias”, que agora tenho eu a oportunidade de aqui deixar a minha ideia. Não que a ache mais certa do que outras, igualmente válidas, ou a mais acertada, nem tão pouco a única possível; mas é esta a minha visão (e já que tanta e boa gente tem direito à sua, esta é a minha). E aqui reside o busílis da questão.

Na possibilidade de, sobre certo assunto ou acontecimento, se fazerem várias e diferentes (não vivêssemos nós, em democracia – ainda que numa, repleta de particularidades, mas, ainda assim, numa democracia…) leituras, comentários ou relatos. Até aqui, tudo (aparentemente) bem.

Mas muito me custa (custa-me e admira-me, mas não me indigna) ver os noticiários, que abrem a hora certa com dizeres em letras maiúsculas sobre exclusivos e notícias de última hora, apresentar as novas, naquele não poucas vezes sarcástico, irónico e nada imparcial tom de voz, saída das bocas daqueles cujo princípio ético-profissional maior deveria ser exactamente, a imparcialidade. A imparcialidade na busca e na exposição da verdade. Tudo isto somado ao propósito que supostamente, motiva os profissionais da área (pelo menos, eu quero acreditar que sim; quanto mais não seja aquele que os motivava quando tinham a, agora minha, idade e ainda era genuína a sua motivação pelo jornalismo) – informar o povo. Contribuir para que o povo eleitor possa tomar as suas decisões de forma informada e consciente.

Informá-lo, contar a verdade! Nobre pretensão, que a meu ver, ultimamente nada tem sido dignificada. O que me parece é que esta busca se transformou hoje, numa desmesurada e inconsequente perseguição politica. Certo está (e nem eu defendo outra coisa, não me interpretem mal) que os tais senhores têm as suas responsabilidades e que, em caso de incumprimento, deve este ser, mais do que tornado público, responsabilizado. E, para esse fim, mecanismos há que melhor o cumprem, do que a imediata publicidade da situação que condena o suspeito mesmo antes de ele ser arguido. Deixemos as pessoas respirar e não façamos notícia de tudo o que mexe.

Ora, e pergunto eu, como pode ser uma (mesma) verdade contada de tantas maneiras diferentes? Parece-me pois que o que é contado não é mais a verdade – a notícia. Mas uma estória. Falo dos canais televisivos, dos genéricos – a quatro, a três e os primeiros. Da um, que a bem ver, em que difere dos outros? Deste primeiro canal, que tinha a oportunidade de ser de facto, um bem público e providenciar um serviço mais distinto. Dos ”pagos”, cuja utilidade informativa, presente nos vários canais, nomeadamente portugueses, está claramente subvalorizada.

Acontece que todo o disposto se reflecte na sociedade e se traduz num cada vez maior e, contrariamente àquele primeiro objectivo de maior grau de informação e esclarecimento entre as pessoas, grau de desconhecimento – ou de conhecimento defeituoso da realidade. Isto, uma vez que, são as notícias apresentadas de uma forma tão pouco imparcial que a informação apreendida pelo (tele) espectador está já ela contaminada com o ”bichinho da indignação” pois tudo parece feio e horrível na boca do pivot da hora de almoço, e não melhora ao jantar.

Não admira pois, que este povo, já farto de desgraças tenha então de se virar para o seu futebol. Este, de que falo não é o dos jovens, estudantes, que ”têm a faca e o queijo na mão” e que, ao contrário do primeiro, nasceu na geração dos pensadores (e dos pensantes – e não é a mesma coisa), mas o dos trabalhadores, frequentadores do café. Entenda-se.

Posto isto, resta-me agradecer-vos a atenção e desde já expressar aqui o meu agrado em participar neste novo projecto. Bem como clarificar a minha pretensão ao dele fazer parte, que é a de contrariar a referida tendência sensacionalista jornalística e esperar que de alguma leitura mais atenta surja um ou outro pensamento mais assertivo, desse lado.

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