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Embaixador Paul Schmit, Embaixador Bernhard Wrabetz, Embaixador Eduardo Junco e Embaixador Bronislaw Misztal in I Fórum de Política Europeia – 15 de Março de 2013

Licínia Simão, moderadora da sessão, começou por dizer que discutir política externa europeia num momento de crise financeira é uma prioridade.  Bernhard Wrabetz, embaixador da Áustria em Portugal, aproveitou a deixa e expôs-nos inicialmente algumas questões: “Precisamos realmente de uma política externa comum da União Europeia? Qual o papel dos Estados membros?”. Para responder às questões reiterou que, tendo em conta que vivemos num mundo multipolar, existem várias expectativas em relação à União Europeia (UE). Wrabetz disse-nos que é necessário ter em conta que alguns dos “multiplayers are big and others are small”. Contudo, os últimos, comparativamente ao mundo globalizado – a Alemanha e a França – são grandes Estados. É aqui que se torna visível que o desejo dos europeus é ter uma política externa comum.

Bernhard Wrabetz questionou ainda “What should European Union do?” relativamente a esta política externa europeia, segundo o qual, a resposta da maioria dos europeus seria “they should do a common foreign policy”.

Posteriormente, colocou outra questão “Se assumirmos que precisamos de uma Política Externa Comum, já a estamos a pôr em prática?” à qual respondeu “The classic and easy answer is: “Yes, we do because it’s in the Lisbon Treaty, and we have proper institutions”. Todavia, há mais aspetos de política externa visível que devem ser mencionados tais como o comércio, o desenvolvimento, a cooperação e o ambiente.

O embaixador disse-nos ainda que, apesar destes aspetos visíveis de política externa europeia, ainda existem certas áreas e temas em que não existe consenso, dando o exemplo da Independência do Kosovo, em que houve 27 opiniões diferentes sobre a questão – tendo sido a independência do Kosovo foi uma das grandes falhas da política externa comum europeia. “[But] a sucessfull story of european foreign policy was Belgrado and Palestine”. Segundo o embaixador, esta falta de unicidade dentro da UE está a fazer com que esta perca influência na cena internacional.

“What do we actually expect from European common policy?”questionou Bernhard Wrabetz. Um dos principais objetivos desta política externa comum é estabilizar a vizinhança, estabelecer uma agenda global para a democratização e proteger a UE contra ameaças exteriores, nomeadamente o terrorismo, os crimes cibernéticos e a migração.

Concluindo, expôs-nos a sua opinião pessoal de que “Europe plays a role model” e de que a mesma não deveria tentar ser um “superpower” como os EUA, que têm presença militar global, porque tal está além das suas capacidades. Contudo, reitera que algumas das capacidades militares da UE devem ser desenvolvidas.

O Embaixador do Luxemburgo em Portugal, Paul Schmit, disse-nos que o passado modesto do Luxemburgo diferencia o país de todos os Estados Membros Europeus que já existem há muito tempo e, portanto, não tem uma ação tão vincada na política externa europeia. “In the 20th century Luxembourg became a neutral country. You can’t have Luxembourg foreign policy if you have not european foreign policy. We are convinced that Europe is the only solution”, rematou o embaixador.

Eduardo Junco, o Embaixador de Espanha em Portugal, avisou de imediato que não era otimista face à política externa europeia porque acredita que para a atingirmos em pleno devemos ter a perceção de que somos europeus. Relativamente a essa perceção, reiterou que existe na UE um grande conflito entre interesses e princípios que, segundo ele se “cruzam com mais violência em termos de política externa comum europeia.” O embaixador terminou preocupado dizendo “tendo uma política externa comum, a UE vai-se tornar incapaz de fazer muitos amigos.”

O Embaixador da Polónia em Portugal, Bronislaw Misztal, começou o seu discurso por dizer “I have two news. The bad news is that I didn’t like anything I’ve heard, the good news is that it’s all true”. Todo o seu discurso girou à volta dos desafios que a UE enfrenta hoje em dia entre os Estados, a identidade europeia e a sua vizinhança. E a questão que se colocou foi “Como vai a UE enfrentar esses novos desafios?”. É extremamente difícil articular posições comuns e politicas externas comuns relativamente a estes novos desafios. Estes desafios requerem ação ou respostas comuns.

Para o embaixador, o futuro da União europeia é o futuro de uma visão elucidada da sociedade, afirmando “I don’t think that everything is about economy but about society”. O que se está a passar na Europa produz novas mudanças e o grande objetivo é como vamos ver a UE daqui a vinte anos e como vamos gerir a “fábrica social” até lá. Para o embaixador, “não é a economia que deve ditar às pessoas como elas vivem, mas sim a fábrica social”.

Por Constança Moura e Patrícia Fernandes | Equipa Jornal MUNDUS

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