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Por Roberto Filipe Sequeira, aluno de 2º ano da licenciatura em Relações Internacionais, FEUC.

Os tempos áureos desta União passaram e dificilmente voltarão.

Para ajudar a este difícil retorno, temos a ajuda de organismos institucionais “anacrónicos”, que por muito que actuem reformas sobre eles, dificilmente conseguirão resolver os problemas cíclicos que afectam as economias e, assim sendo, o bem-estar europeu.

É necessário salientar que estes Estados Unidos da Europa tiveram como pedra basilar a utopia promÍscua da cooperação para a integração e paz. Utopia sim, visto que com o passar dos alargamentos os países com integração periférica são quem mais sofre quando uma epidemia de Crash Bolsista se expande. Deterioraram-se os critérios de Copenhaga em prol de critérios provenientes da orla banqueira.

Há quem estabeleça uma linha tangencial entre a União Europeia (UE) e a antiga URSS. Ainda que de modo pouco sustentado, pode assistir-se ao cumprir da premonição: “A Europa não dura para sempre” (Silva, Cavaco).

A grande problemática Soviética fora o anacronismo das suas instituições, que levaria ao seu eminente declínio. Esta tendência arcaica vem, por parte, de uma facção mais conservadora, que insiste em remodelar/refundar as instituições. Aí reside o ethos da problemática. Os órgãos competentes não devem ser reformados, devem antes ser inovados. Pois a inovação, sendo mais “radical”, tende em acompanhar de melhor forma as intempéries actuais. Veja-se o seguinte caso: a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE); sabe-se que esta instituição tem por base elaborar relatórios quanto à previsão económica de diversos países. Estes relatórios, por muito assertivos que sejam, são facilmente devorados pelas famosas agências de rating norte americanas. Apostando de grosso modo nesta instituição, poder-se-ia dotá-la de poderes qualificativos, uma vez que ela é o “olho económico europeu”. Com esta inovação, poderíamos assistir ao regredir dos ataques especulativos internacionais. Sabe-se que as agências de rating são uma corporação privada e, como tal, beneficiam, em muitos casos, interesses privados. São um instrumento destabilizador e facilitador de certos grupos para atingirem, de forma mais simples, o seu pretendido. O continente é dotado de democracia e, portanto, devia moldar esta instituição seguindo uma lógica representativa, onde os interesses dos países nacionais conseguissem ser defendidos, bem como o interesse europeu no seu geral.

Inovação é a palavra-chave, e não a reforma burocrática. Sabe-se ainda que o conceito de união advém do outro lado do Atlântico. No Velho continente, pretendeu-se recriar o que fora instituído com êxito no Norte da América. Há muitas diferenças entre uma e outra. Primeiro facto: Os Estados Unidos da América (EUA), devido à sua imensidão demográfica e populacional, dá autonomia suficiente aos Estados que o constituem. Estes contribuem e agem como um todo, levando os seus ganhos a contribuir para o PIB nacional. O mesmo não se passa na comunidade europeia. Cada país é autónomo, apesar de ter de respeitar imposições da UE. Cada um trabalha individualmente e compete com os restantes para o desempenho e o adquirir de uma melhor percentagem do indicador acima mencionado. Este clima de competição leva a que uma real cooperação e solidariedade não existam. Apesar da comunidade europeia querer instituir a supervisão do Orçamento de Estado (OE) de cada membro, serão medidas impraticáveis, uma vez que a realidade nacional é totalmente desconhecida e, essencialmente, porque as necessidades diferem de local para local, e porque pessoas não são números e nem devem de ser tratados como tal. Desta forma, falhará uma aproximação ao bloco americano, uma vez que a repartição de recursos não será realizada de forma equitativa, levando a que os países da periferia sejam marginalizados. Queremos competir com as economias mundiais, porém, assiste-se a uma competição interna. Os países periféricos poderiam ter um papel fulcral no que toca a dinamizar a política externa, porém, dá-se primazia à centralização económica. A competitividade também está pendente da lei do financiamento. Este não é linear, nem rege políticas promotoras da economia. Neste momento, o dinheiro injectado serve para solidificar o sector bancário, em vez de fomentar a economia.

Ou a UE apresenta inovações, ou terá o mesmo fim trágico da URSS.

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