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Por Carlos Pinto, licenciado em Relações Internacionais e atual aluno do Mestrado em Relações Internacionais na FEUC.

O artigo do Público de 13 de Outubro, intitulado “Discurso da Extrema-Direita ganha terreno da Europa” dava enfoque à possível vitória de Marine Le Pen nas autárquicas intercalares em Brignoles, França e às suas implicações para o futuro da Europa. Como tal, encontra-se dividido da seguinte forma: numa primeira parte, estuda o papel dos movimentos nacionalistas Antieuropeus semelhantes ao FN; numa segunda fase, debruça-se sobre a questão da subida do UKP; e, por último, refere as causas do extremismo na França.

Contudo, no artigo do Público ficam por citar muitos partidos de Extrema-Direita um pouco por toda a Europa, como por exemplo, os casos nos países nórdicos, na Grécia, Hungria, entre tantos outros.

Todos estes partidos nacionalistas começaram a ganhar relevância a partir da crise de 2008/2009, excetuando o caso austríaco. Se nos países árabes podemos chamar de Primavera Árabe ao conjunto de revoluções que lá aconteceram, na Europa devíamos falar de um início do “Outono Europeu”.

Aliás, tal acontecimento foi previsto por Huntington, em 1992 quando afirmava ” A terceira vaga, a «Revolução Democrática Global» dos finais do século XX, não irá durar para sempre. Ela poderá ser seguida por uma nova vaga de autoritarismo, constituindo uma terceira vaga de contra-revoluções”.

No entanto, a questão fundamental a responder aqui é: por que razão os partido de Extrema- Direita estão a ganhar expressão? Na minha visão dos acontecimentos, existem três problemas que estão a levar as populações europeias a alinhar nestes partidos. O primeiro está relacionado com o défice democrático da UE, que se agravou, na minha opinião, com a crise do euro e o chumbo da Constituição Europeia. A crise da UE é uma crise de liderança, visto que foi esta liderança que promulgou a visão “Estado-centrista” atual em detrimento da “institucionalista” defendida no passado. Aliás, a Europa foi criada pelas elites europeias para as elites europeias e nunca para as populações europeias. Dessa forma, a solidariedade europeia acabou e começaram os “Negócios Europeus”.

Outro dos acontecimentos-chave foi o crescimento da pobreza na UE, especialmente nos países do sul, e com maior força a seguir à crise do euro. Sem pobreza generalizada, não há terreno fértil para os movimentos nacionalistas atingirem o estatuto nacional. Este problema agrava-se visto que a resposta europeia para o resolver tem sido a austeridade, agravando o descontentamento com os atuais sistemas políticos nacional e europeu.

Por fim, com o aumento da pobreza na Europa torna-se mais fácil encontrar bodes expiatórios para os problemas europeus, sejam eles população Romani (intraeuropeu), ou populações Islâmicas (extraeuropeu). A propósito, neste último caso, as narrativas que abordaram o 11 de setembro enquanto “choque de civilizações” só ajudaram partidos como a FN, o UKP ou o FPÖ.

Com estes três fatores em consonância estão criadas as condições ideais para o ressurgimento destes movimentos na Europa. Aliás, seria um erro cair na ideia de que a História não possa ser revertida. Em suma, gostaria de fazer minhas as palavras de Huntington: “Desenvolvimento económico torna possível a democracia; A liderança política torna-a real”.

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