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No iniciar do segundo painel que abriu a discussão sobre o “posicionamento comercial e financeiro da União Europeia no pós-crise”, ouvimos o primeiro orador, Luís Amado, atual Presidente do Banif, que começou por relevar que estamos “num tempo de reajustamento macroglobal do equilíbrio do sistema de poder no sistema internacional”. Continuou, dizendo que “estamos a viver um tempo histórico incrível”, no qual se presencia uma grande pressão política dos acontecimentos.

Muita das vezes, os erros que se cometem na crise que estamos a viver decorrem da pressão e do stress que se impõe aos decisores políticos. É, agora, mais oportuno do que nunca, em plena época de eleições europeias, pensar sobre a União Europeia e a pressão que se exerce no seu seio. “Vivemos um tempo imprevisível”, acrescentou.

O que faltou desde o início para perceber a crise europeia foi, sem dúvida, a dimensão geopolítica, a geografia das relações culturais, as expetativas quantos aos vizinhos. A crise do euro foi entendida como financeira, quando é, na verdade, uma crise geopolítica.

A URSS era um pólo de poder do equilíbrio geopolítico do sistema internacional que se veio a desmoronar nos anos 90, algo que abalou a cena internacional. Esta foi, segundo Putin, “a maior catástrofe geopolítica do século XX”. A dinâmica de crise que rompeu na Europa após esse acontecimento, não resultou numa catástrofe e isso foi, de facto, algo incrível. Para muitos não foi nada de mais, mas ”para mim foi sempre uma catástrofe, um fenómeno extraordinário”, revelou.

Luís Amado continuou o seu discurso, falando da questão do euro e, apontando desde logo, que após alguns anos desde a sua implementação se colocaram à vista as suas lacunas. Conseguiu-se um conjunto de boas decisões, porém o problema do euro não está resolvido e “está longe de estar resolvido”, porque o seu problema tem uma génese geopolítica. Enquanto as economias da Europa não forem harmonizadas, é um desafio que está longe de ser resolvido, ou seja, é necessário resolver o problema da fronteira com a Rússia, que é uma questão de enorme gravidade, pelo facto de envolver fatores históricos, culturais e de vizinhança.

“Sou muito crítico em relação à forma como a UE reagiu à crise da Ucrânia”, disse. A União Europeia enfrenta um grave problema de segurança, isto é, apesar da protecção dos Estados Unidos, existe um vazio estratégico de segurança, que está a ser posto à prova com todos estes últimos acontecimentos.

Posteriormente, Manuel Caldeira Cabral, Professor na Universidade do Minho, começou por dizer que a União Europeia está a perder a sua capacidade de atracção. Nos anos 80/90, essa capacidade era muito forte e isso viu-se com os sucessivos alargamentos. Hoje em dia, acontece exatamente o contrário. Por exemplo, estão a surgir vários movimentos de interdependência na União Europeia como na Escócia e na Espanha… Até o Reino Unido já discute a saída da  União.

Outra das questões abordadas foi a dos choques assimétricos, isto é, um choque que afeta dois países de maneira diferente. Por exemplo, os alargamentos afetaram de forma diferente os países: os países do centro e leste da Europa foram largamente beneficiados, porém Portugal foi afetado negativamente. A reacção que se teve à crise também teve diferentes impactos, isto é, os países que tinham uma maior dívida sofreram mais.

“A UE tem de se liberalizar, tem de se abrir ao mundo”, concluiu.

De seguida, José da Silva Peneda, Presidente do Conselho Económico e Social, começou por dizer que para problemas complexos não há respostas simples”. “Uma característica do nosso tempo é a incerteza”, acrescentou.

A criação da moeda única teve consequências profundas e se a zona euro se quer consolidar de forma coesa tanto a nível económico como social, será necessário rever muita coisa, começando por acabar com a divergência económica existente no seio da União e caminhar para a convergência.

Um dos grandes problemas é a diversidade existente na União: a nível cultural, a nível de competitividade, etc. São realidades distintas. “Aplicar uma política uniforme a realidades tão distintas pode ser complicado”, disse. Temos de trabalhar mais e buscar um novo modelo. Para isso, é preciso tempo, é algo que só se conseguirá resolver a longo prazo.

Por Joana Torres e Patrícia Fernandes | Equipa Jornal MUNDUS

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