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Na abertura da sessão foi sublinhado pelo Dr. Bruno Maçães o facto de todos fazermos parte da geração europa. Nos anos de 2004/2005, quando residia nos EUA, mencionou que estudantes com quem contatou se consideravam europeus. Indicava que o espírito europeu estava a tornar-se parte do quotidiano das pessoas. Esta consciência europeia permite falar com voz mais influente- o chamado soft power, vida dos cafés, indústria de moda, pois são setores que têm um poder de atracção bastante superior.

Foi também feita referência à explicação para alunos italianos e franceses nos EUA se referirem a si mesmos como “nós europeus”. A pergunta que impera é: “será que este espírito já não é bem assim?”. A crise criou divisão e tensão entre norte e sul da Europa. Gerou igualmente bastantes dúvidas sobre o projeto europeu. A possibilidade do ideal europeu desaparecer era impensável, quase inconcebível de acontecer. A consciência de que o projeto europeu fazia parte da estrutura das nossas vidas foi abalada.

Atualmente, não há vontade de voltar a um modo de vida em que se viva fechados no próprio estado-nação, mas sim num ambiente mais alargado. A crise cria ansiedade mas ao mesmo tempo há um lado positivo, se a Europa conseguir resistir a esta crise de segurança internacional muito grave, ficamos convencidos de que conseguirá resistir a tudo.

O orador fez também referência ao papel dos jovens. Há a necessidade de ter um papel cosmopolita, um espírito europeu tem que ser um espírito jovem, aventureiro e de atracção pelo desconhecido, um espírito construtivo, que assuma o papel europeu como nosso. É importante perceber que ainda não chegámos ao limite da integração europeia.

A grande questão da política externa e de segurança debruça-se sobre a urgência de líderes europeus com grande criatividade e capacidade de gerir estas questões. Foi igualmente mencionado o papel da Comissão Europeia como um papel de enorme relevo, através de programas de Garantia Jovem, com estágios nas embaixadas. Tudo seria muito mais difícil sem a Europa.

O Sr.Deputado Duarte Marques deu inicio à sua intervenção fazendo referência às possíveis explicações para o afastamento das pessoas relativamente às decisões tomadas pela Europa. Atualmente, os jovens europeus têm o privilégio de ter acesso às informações relacionadas com a UE ao minuto. A possibilidade de seguir a politica europeia através das redes sociais em tempo real e o facto de ser possível discutir nas Universidades estas temáticas é uma mais-valia, que permite que nos aproximemos das decisões tomadas. A nossa geração não sabe o que é viver sem a UE e antigamente não havia liberdade como há hoje.

Nos dias de hoje, as gerações deixaram de escrutinar o que era feito, deixando passar muitas decisões. Esta é a primeira geração que existe, tendo a capacidade de ser críticos do sistema. Esta geração é a que mais sentiu os valores europeus. Relativamente à questão ucraniana, “foi preciso ir à Praça em Kiev para perceber o que estava em causa, foi preciso ir para fora do espaço europeu para perceber que aquelas pessoas querem liberdade de opinião, valores democráticos, uma justiça que funciona e oportunidades para todos”.

Enquanto não tivermos um discurso forte, unido e multilateral, nunca teremos uma política externa forte.O nosso parceiro é obviamente os EUA, sendo que o acordo de comercio é uma oportunidade brutal para a Europa.

Por fim, foi a vez do Sr.Deputado Rui Duarte de intervir, que começou por realçar o grau de informação e de abertura que as novas gerações têm para trabalhar e viver no espaço europeu. “É nestes 100 milhões de jovens que reside a esperança de uma mudança efectiva no espaço europeu”, salientou. Todos nós temos muito orgulho em fazer parte de um espaço que tem um histórico incomparável sobre direitos humanos, capital humanitário e respeito pela diversidade e multiculturalidade. Temos, no entanto, as dimensões em falência que justificam o afastamento dos jovens dos centros de decisão. As próximas eleições europeias têm que pôr na mesa os diferentes cenários e escolhas que se pretendem fazer.

Os jovens são a geração mais bem informada mas também a com menos poder no quadro europeu. Em média, apenas 30% votaram nas eleições europeias, pois reconhecem que o seu voto não tem implicações directas no seu projeto de vida dentro do quadro europeu. O défice democrático que existe na Europa produz uma dimensão incoerente e explica o afastamento dos jovens da política europeia. “Se a Europa não se refundar, o grau de descompromisso será ainda mais problemático para a Europa a médio prazo”.

“É fundamental resolver esta incoerência e discutir as dimensões em falência. Estas eleições europeias serão o cenário ideal para discutir estes temas”, concluiu.

Por Carolina Marques e Sofia Maia | Equipa MUNDUS

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