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Em Março de 2014, em Haia (Holanda), as potências industrializadas representadas no G8 decidiram excluir a Rússia do grupo das 8 maiores democracias industriais, para sancionar o Presidente russo Vladimir Putin pela anexação da Crimeia, ao mesmo tempo que ameaçaram a posterior aplicação de novas sanções no caso de a violência contra a Ucrânia continuasse.

Começaram a nascer algumas críticas dizendo que a suspensão da Rússia do G8 era demasiado simbólica e demonstrava uma falta de capacidade de resolução entre os aliados para tomar posições mais duras no sentido de reverter a anexação da Crimeia por parte de Putin. Críticas estas completamente legítimas dado que isto não suscitou no presidente russo nenhuma intenção de recuo, em vez disso, como disse à Reuters em outubro “It is utter foolishness from those governments, who are limiting their business, preventing it working, reducing its competitiveness, freeing up niches for competitors on as promising a market as Russia.”

No entanto, outras críticas (especialmente alemãs) surgiram defendendo que a suspensão da Rússia destas reuniões iria suscitar novamente alguma rivalidade no género da Guerra Fria, dado que o objetivo de incluir a Rússia neste grupo desde 1998 tinha sido sinalizar a cooperação entre ocidente e oriente. Na verdade, a Rússia detém uma das maiores redes de produção e distribuição de Gás natural e petróleo do mundo, sendo que 30% dos estados-membros da União Europeia são energeticamente dependentes deste país, concedendo-lhe poder económico e fazendo com que as sanções aplicadas não possam ser demasiado duras ou eficazes (considerando eficaz um conjunto de sanções que ultrapassem os benefícios da ação que pretendem deter), sob a pena de a Rússia cessar a distribuição destes bens. Embora muitos países Europeus necessitem da energia Russa, há que verificar que a economia deste país depende em cerca de 43% da União Europeia para exportações e importações, sendo a UE o seu maior parceiro comercial, enquanto que a UE apenas realiza 9% dos seus negócios com a Rússia, sendo então o terceiro maior parceiro comercial da UE2 .

Isto faria parecer que a Rússia teria mais a perder no caso de um embargo total das trocas económicas com a UE. No entanto isto não se verifica dada a capacidade russa de encontrar rapidamente novos parceiros comerciais (como por exemplo a China, país para o qual já está em construção um gasoduto partindo da Rússia), capacidade essa facilitada pela presença da Rússia na ONU e o seu direito de veto, impedindo esta organização de tomar qualquer medidas no que toca a este conflito. O Facto de simbolicamente excluírem temporariamente a Rússia do G8 mas não de outras reuniões como a APEC ou o G20  faz com que a mensagem que se queria fazer passar seja apagada, concedendo mais poder político à Rússia e ao seu presidente, deixando-lhe espaço para ameaças como “If I wanted, in two days I could have Russian troops not only in Kiev, but also in Riga, Vilnius, Tallinn, Warsaw and Bucharest,” , ou dizer “All I have to do is smile to show the devil is not as frightening as he seems.” Não se pode esquecer, por outro lado, o elevadíssimo poder militar da Rússia, que conta com o segundo maior exército do mundo e uma das principais economias de armamento do globo, o que torna estas ameaças menos irreais, mas em todo o caso provavelmente irrealizáveis, principalmente com a suposta capacidade de resposta das tropas estacionadas da NATO em caso de invasão dos Países Bálticos, bem como a impossibilidade lógica de utilização de armas nucleares .

Considero este tema importante devido ao nível crítico em que se encontra o conflito. Agora que existe uma ameaça expressa de invasão aos Bálticos, não devia a União proteger a integridade territorial e a soberania política dos seus membros? Tentando evitar o crescimento de tensões, claro, mas ao mesmo tempo não se cingindo a “brincadeiras” a ver quem está dependente em quem, ou quem pode fazer o quê. Afinal, é nesta base que a UE está assente, na cooperação e proteção dos estados membros.

Na eminência de uma Guerra que poderá mudar a face do mundo, escrevo apelando à necessidade de perceber estes processos para tomar medidas e encontrar soluções viáveis.

Sofia Paiva, aluna da licenciatura em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

One thought on “Jogos de poder na política internacional dos nossos dias: O caso do conflito com a Rússia

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