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Segundo o que foi possível apurar pelo Jornal Expresso, os extremistas islâmicos ao reivindicarem o ataque dizem estar a “vingar a Síria”, justificando que a França “envia os ataques aéreos para a Síria diariamente”, que “matam crianças e idosos”. E ameaça: “Hoje vocês estão a beber do mesmo cálice”.

Preocupante é, quando nas mesmas redes sociais surgem vários apoiantes dos ataques. Nisto, pode ler-se: “Isto é só o começo … Aguardem até os istishhadis [suicidas] chegarem com seus carros”. Ou “Recordem, recordem esta data, como os americanos não esquecem o 11 de Setembro”. De acordo com as mesmas fontes, o ISIS já proclamou que se seguem Washington, Roma e Londres como palcos de próximos ataques.

Ora, se pegarmos nas palavras do grupo extremista islâmico vemos que estes estão a levar a cabo tais ataques terroristas supostamente em nome da Síria, porque a França ao tentar combatê-los tira a vida a inúmeros inocentes, entre os quais crianças e idosos. Para mim, esta justificação além de completamente inválida, carece de comprovação empírica. O Estado Islâmico põe fim à vida de inúmeros inocentes, de forma macabra, todos os dias. A onda de refugiados de que tanto se fala nos últimos tempos é fruto disto mesmo. De pessoas que saem das suas casas, fogem e colocam a sua vida em risco em nome de um bem maior – a vida.

Um dia antes, foi levado a cabo um atentado suicida em Beirut e em Bagdad que deixou como rasto cerca de 40 mortos e mais de 230 feridos. Qual é a justificação agora? Por que “bem maior” é que o ISIS está a atuar? Quem é que matou inocentes desta vez? Qual a razão para este atentado?

Perco a fé na Humanidade não só quando vejo a criação de páginas de apoio ao ISIS nas redes sociais, mas também tantas outras denominadas “Sírios fora da Europa”. Já pararam para se consciencializar de que muitos militantes do Estado Islâmico eram portugueses, franceses, etc, pessoas vindas de países ditos desenvolvidos que se juntaram a estes grupos extremistas? Porquê culpabilizar-mos aqueles que fogem precisamente de situações como estas diariamente? Não acham que é um contrasenso? O terrorismo não tem religião e qualquer forma de violência não pode ser justificada por nenhum tipo de ideologia.

Hoje, não me proponho apenas a rezar por Paris. Rezo por Beirut e por Bagdad. Rezo por todos aqueles que perdem a vida a fugir de situações como estas. Rezo por toda a humanidade porque este ataque foi contra todos nós e porque esta política de propaganda do medo não pode continuar. É preciso reconhecer que neste momento o principal interesse do Estado Islâmico é espalhar o medo pelas populações de todo o mundo. Estimular também o ódio à população islâmica, para que a Europa acolha menos refugiados e aumente o número daqueles que se querem juntar ao Estado Islâmico.

Assim sendo, é desnecessário, ignorante e ilógico culpar os refugiados. A rota de refugiados é extremamente degradante, difícil, e muitos deles morrem a caminho da Europa, afogados no mar mediterrâneo. Dormem ao relento, com os filhos ao colo, sem roupa e sem comida. Existem formas mais fáceis de lançar ataques terroristas e prova disso é que até então os terroristas não eram refugiados.alx_mundo-tiroteio-franca-20151114-040_original

Já dizia Guterres: “Quem quer pôr bombas vem de avião, não se mete em barcos que podem afundar”».

Sara Pinto, coordenadora do Jornal Mundus

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