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Sexta-feira, 13 de novembro de 2015. Paris. 20:30H. A cidade gozava de mais um final de semana. A cultura francesa estava ao rubro: no Estádio de França, a seleção nacional francesa defrontava a seleção alemã; no centro de espetáculos Bataclan, uma banda norte-americana presenteava os seus fãs com um espetáculo que todos recordariam; mas principalmente, nas ruas, nas esplanadas, nos cafés, nos restaurantes as pessoas conviviam. Era o Paris mode de vie na sua essência.

Até que vieram os tiros. Depois os gritos. Depois o silêncio. O duro silêncio duma ferida acabada de abrir e que retirava as forças até para pedir ajuda. Tinha acontecido o “11 de setembro francês”.

E agora? O que se segue? François Hollande, presidente francês, afirmou que este era um ataque que teria uma resposta à altura e que o Estado Islâmico (daesh) iria ter a guerra que tinha provocado com este novo ataque ao coração da liberdade e da fraternidade europeia.

Depois do 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos da América, à margem do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, convocava os seus aliados da NATO para uma intervenção armada no Iraque e no Afeganistão para acabar com o terrorismo. Mas o terrorismo não acabou!

Os ataques de Paris são também eles suficientes para que o Presidente Francês convoque a aplicabilidade do Artigo V do Tratado de Washington[1], chamando assim os seus aliados para uma intervenção militar no território controlado pelo Estado Islâmico. Mas será esta a resposta correta?

As ações passadas comprovam-nos que as intervenções com forças militares não têm por norma obtido os resultados pretendidos e neste caso tudo indica que uma iniciativa apenas por parte da NATO terá o mesmo desfecho. É altura do Consenso! É altura do Conselho de Segurança assumir as suas responsabilidades e apelar a que a Comunidade Internacional se junte e em conjunto se combata o terrorismo e o extremismo religioso. É altura de a NATO lutar lado a lado com a Rússia e com os países Árabes!

O ano de 2015 tem sido recheado de momentos históricos, surge agora a oportunidade de fazer mais um. O momento em que o Ocidente abdica da sua posição de superioridade e se junta ao Oriente por uma causa comum. Porque não bastam discursos emotivos de líderes políticos, simbólicos mas ineficazes. Porque não bastam manifestações da sociedade civil em que “somos todos Paris”. São precisas ações! Que sejamos todos humanos, na prossecução de um Mundo tolerante e pacífico.

[1]The Parties agree that an armed attack against one or more of them in Europe or North America shall be considered an attack against them all and consequently they agree that, if such an armed attack occurs, each of them, in exercise of the right of individual or collective self-defence recognised by Article 51 of the Charter of the United Nations, will assist the Party or Parties so attacked by taking forthwith, individually and in concert with the other Parties, such action as it deems necessary, including the use of armed force, to restore and maintain the security of the North Atlantic área.”

Artigo de opinião por Francisco Góis, licenciado em Relações Internacionais pela FEUC e atualmente aluno de mestrado em Relações Internacionais pela mesma Faculdade.12242234_10208070372627486_1750471359_n

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