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O último dia do ENERI ficou marcado pela presença do dr. Adriano Moreira que, perante um auditório cheio, presenciou os estudantes de todo o país com uma conferência inigualável.

Adriano Moreira veio falar da crise que abala a Europa e começa por relembrar à nossa geração a gratidão que devemos sentir por não termos vivido as duas grandes guerras. Nesse período, a Europa era vista como a luz do mundo, ainda que brilhasse mais a ocidente, e a sua estrutura foi-se modificando por diversas vezes.

A Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914, veio modificar fundamentalmente a estrutura da Europa e sobretudo deixar um ensinamento que parecera ter servido de pouco: a Europa nunca ganha as guerras. Há países que não a perdem, mas a Europa no seu conjunto, nunca as ganha. Depois seguiu-se a Segunda Guerra Mundial e mais uma vez a reestruturação da Europa. Mais uma vez, houve países que não perderam a guerra, mas a Europa também não a ganhou: “A pouco e pouco a Europa deixou de ser a luz do mundo porque as velas se foram apagando” – reflete.

Em 2016 há um aspeto que deve ser meditado: a unidade europeia corre o maior dos perigos desde a Segunda Guerra Mundial porque, aquilo que tem causado, a seu ver, maior situação de submissão aos perigos que estão a rodear a UE é uma forma muito própria de Portugal de estar no mundo: esperar pelo amanhã. E aqui, Adriano Moreira salienta: “Pensa-se que ainda há tempo. Mas não há tempo. O tempo de espera acaba com as oportunidades”.

 

O projeto de alargamento da UE não foi baseado em nenhum estudo de governabilidade ou alargamento. A América durante quase todo o século XIX viveu com a convição de que Deus teria sido muito generoso com o seu povo. Mas a Europa não. A Europa inventou a segurança e defesa autónoma, cooperando com  a NATO. A pouco e pouco os restantes países, não habituados a uma união política, começaram a pensar na necessidade de criar um Estado. Desta forma, hoje, povos do Sul como o Chipre, a Grécia, a Itália, Portugal, “sobem”em busca de emprego e futuro. “E nós com intervenções que se esqueçeram do princípio «entre dois males, é preciso escolher o mal menor», fizemos intervenções no Iraque, na Síria, no Afeganistão e esquecemo-nos de preservar o mal menor. Fizemos um furacão democrático, terminando com as estruturas aí existentes” – acrescenta. Agora, chamamos democracia ao que aí ficou, que não era nenhuma nação ou cidadania, nem sequer alfabetismo. Nestas intervenções não ficou nenhuma semente da democracia ocidental. Ficaram sim fenómenos separatistas que hoje se alargaram à Europa, movimentos que pretendem dividir os países que lutam pela sua unidade, como acontece em Itália, Espanha ou França. Por outro lado, começam também a aumentar o número de países descrentes no projeto europeu e que, em última instância, pretendem afastar-se da UE, como é o caso da Inglaterra, mas não só. Se analisarmos a percentagem de eleitores que votam nas eleições europeias, vemos que o sentimento europeísta é cada vez menor, algo preocupante porque demonstra que as fronteiras geográficas são ainda bastante densas. Fora do contexto europeu, também as Nações Unidas precisam de uma significativa reforma, já que a maior parte dos organismos que dizem respeito à segurança e à defesa estão em “pousio”.

Para o orador, Portugal está a descurar esta circunstância e devia ter uma política mais reativa perante todas estas organizações e não pode continuar a deixar que todos os seus valores sejam substituidos por um único – o orçamentalismo. Em relação ao caso português, Adriano Moreira acrescenta ainda que muitas das vezes devido à posição geográfica do nosso país nos esquecemos que a Europa não é a única ligação. Dispomos de outras, igualmente importantes, como a nossa plataforma continental a qual, desde que reconhecida, poderá ser a maior do mundo. O número de desafios para que Portugal recupere o seu lugar ideal na comunidade das nações são inúmeros e, se houver uma guerra, esta será bastante mais cruel que qualquer uma das anteriores, devido à superioridade tecnológica.

O autor termina apelando à análise crítica dos estudantes e deixa um incentivo: “Arrependo-me não do que pude fazer, mas sim do que poderia ter feito e não fiz. E no que não fiz é que está o defeito. E o melhor que posso fazer às vossas gerações é não esconder os desafios”.

A moderadora Olinda Rio termina dizendo-se inspirada pelo discurso do orador que é, sem dúvida, uma referência para si e para todos nós e, pegando nas suas palavras, defende que não basta ter sonhos, é preciso ter planos e concretizá-los porque as oportunidades não duram para sempre.

 

Coordenação Jornal Mundus / SP

 

 

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