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O segundo dia do ENERI iniciou-se com a presença do Prof. Daniel Pinéu. Perante uma sala cheia, o orador pretendeu desmistificar alguns conceitos.

Primeiramente o professor, desviando-se do tema proposto, decidiu apelar a uma reflexão. A educação universitária não serve apenas para obter um grau académico que nos permita arranjar um emprego.Ao invés disso, a matriz da educação universitária deverá pautar-se por algo que nos permita ter espaço, tempo e as ferramentas necessárias para pensar, para uma reflexão moral, algo que é muito mais importante do que ter dinheiro ou um bom emprego. Apoiando-se num dos seus filósofos preferidos, Daniel Pinéu invoca Foucault, alertando para nunca aceitarmos como auto-evidente as coisas que nos são propostas, mas sim, analisá-las e procurando na nossa reflexão as coisas que ainda não foram imaginadas nem pensadas ou, se sim, fazê-lo de forma diferente.

Depois desta reflexão inicial, Daniel Pinéu, defende que deve ser nesta matriz que se deve basear um diálogo sobre o terror e sobre o terrorismo.

Nos últimos 16 anos, apenas 26 americanos foram mortos devido a ataques extremistas. Por outro lado, inúmeras mortes são causadas todos os dias por acidentes de viação, violencia doméstica, doenças, etc. Também na UE, regista-se um decréscimo na ordem dos 50%, quanto a vítimas de ataques terroristas. No entanto, parece que estes têm vindo a ganhar uma dimensão muito mais avassaladora na sociedade civil atual.

Depois, prossegue, os ataques terroristas estão quase sempre interligados com o preconceito e discriminação face aos islâmicos. Aquando o atentado na Noruega, em Julho de 2011, rapidamente se pensou na possibilidade do autor ser um islâmico, ou pelo menos, que se tratasse de um atentado terrorista. Minutos depois, descobriu-se que o responsável pelos mesmos era Anders Behring Breivik, um norueguês de extrema-direita. Os media rapidamente se referiram ao atentado como “mass shooting” e não como um atentado terrorista. Quer isto dizer que os terroristas são só muçulmanos?

O número de vítimas de ataques terroristas é muito maior fora da Europa Ocidental, destacando países como o Iraque ou o Afeganistão. O tipo de terrorismo que mais mata é o etno-separatista, como é o caso da ETA, e não o religioso. Os atentados de Paris foram bastante mediatizados mas quando comparados com a restante UE estão num nível bastante inferior. Como exemplo de comparação, só os atentados em Madrid em 2004 foram bastante superiores.

 

Então o que é afinal o terrorismo? Existem inúmeras definições, sendo díficil dizer qual a mais acertada mas, ainda que não concordemos com elas, quase todas enfatizam os mesmos elementos: Em primeiro lugar o facto de que a verdadeira vítima não é quem morre mas sim quem sofre com as ameaças do terror, ou seja, A mata B para influenciar C e, em segundo lugar, o facto de haver uma escolha ponderada dos alvos a atacar.

O orador termina alertando para a ideia do senso comum de ver estes grupos como não tendo objetivos. Tal é errado pois ainda que não concordemos com eles e com os meios que usam para atingir esses fins, é errado pensar que eles atuam aleatóriamente e só pensam em espalhar o terror. “Estamos a prestar demasiada atenção aos sintomas mas não ao problema em si Apenas estamos a tentar pensar em como parar a coerção.Todos nós somos cumplices da estratégia mais importante dos terroristas” – acrescenta.

Coordenação Jornal Mundus / SP

 

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